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Bit. Trip Flux.

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Posted 04/06/2015 by in 3DS

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Nota:
 
 
 
 
 

4/ 5

Plataforma: , ,
 
Título: Bit. Trip Flux.
 
Publicador: Aksys Games.
 
Desenvolvedor: Gaijin Games.
 
Duração Média: 5 horas.
 
Lançamento: 28/02/2011.
 
Resumo:

Bit. Trip Flux é a conclusão mais apropriada que a série de ritmo/música da Gaijin Games poderia ter tido. Com seu visual retrô repleto de luzes e efeitos psicodélicos, músicas chiclete e uma jogabilidade simples e gratificante, o jogo só peca por sua minúscula longevidade.

by Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo
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O WiiWare é um serviço de download de jogos inexplicavelmente muito pouco utilizado pelos donos do console, mesmo recheado de pérolas como Cave Story, Lost Winds, World of Goo, Sword & Soldiers e a série Bit. Trip. O capítulo que encerra a franquia é Bit. Trip Flux, que traz de volta as mecânicas do primeiro título Bit. Trip Beat e as aperfeiçoa com toda a experiência que os desenvolvedores da Gaijin Games adquiriram com seus outros jogos.

Basicamente, Bit. Trip Flux são dois jogos distintos em um.

Para os seres humanos que vivem nas condições normais de temperatura e pressão, Flux é um divertido jogo musical, muito parecido com o clássico Pong. No lado direito da tela o jogador controla um singelo retângulo que pode ser movimentado para cima ou para baixo ao se rotacionar o eixo do Wii Remote, com o objetivo de rebater os quadrados que são jogados contra ele. É uma mecânica extremamente simples, mas refinada de forma brilhante pela Gaijin Games, que criou padrões musicais para cada sequência de quadrados: cada projétil que o jogador rebater irá emitir um som que, atuando em conjunto com a viciante música de fundo, criará uma experiência sonora incrível.

A cada acerto e erro do jogador, duas barras de energia são preenchidas. A barra de cima aumenta de acordo com o tamanho do seu combo, levando-o eventualmente aos modos “Ultra” e “Mega”, em que tudo fica mais alucinantemente piscante e brilhante, com luzes e cores cobrindo a tela inteira, enquanto novas batidas e instrumentos são adicionados à música. Já a barra de baixo é esvaziada quando o jogador erra, levando-o de volta ao modo normal ou ao “Nether” (que pode ser apelidado carinhosamente de “Coma”), em que a tela fica toda em preto e branco, a música desaparece e os únicos sons saem do Wii Remote. Dessa forma, Flux, igual à Beat, surge como um produto muito singular, pois sua qualidade cresce na mesma medida em que a habilidade de seu usuário. E para aproveitar tudo que ele tem a oferecer, ela terá que ser bastante considerável, uma vez que a dificuldade é grande e crescente.

Nesse ponto, o implemento de check points cria uma situação paradoxal, pois ao mesmo passo em que auxilia o jogador a completar mais rapidamente o jogo, evidenciando sua pequena duração – ele contém apenas 3 fases –, permite que a equipe da Gaijin Games libere a criatura sádica que habita seus cruéis corações e crie padrões insuportavelmente complicados, que precisam ser memorizados a risca para ser superados. Há de tudo um pouco: projéteis que ficam invisíveis, que se agrupam em um grande vórtex e depois se lançam todos de uma vez ou formam uma linha e se liberam aos poucos, tem os que cobrem a tela inteira com um rastro de luz ou formam constelações e há até mesmo as bolas brancas reminiscentes de Bit. Trip Void, que causam dano e devem ser evitadas.

Já para aqueles que seguem a série desde seus primórdios e acreditam firmemente que ela simboliza todo o decorrer da vida de um pixelado ser chamado Commander Video, acompanhando-o de sua infância ao seu eventual amadurecimento, Flux é o último capítulo de uma bonita jornada e simboliza o fim de uma vida – mais especificamente seus últimos momentos: aquele instante em que um indivíduo recorda todos os melhores e mais marcantes períodos de sua vida, embarca em uma jornada de autoconhecimento e tenta encontrar a paz. Assim sendo, nada mais lógico que a jogabilidade de Flux seja um sutil reflexo de todos que o antecederam, especificamente Beat e Void, invertendo e misturando seus conceitos e mecânicas. Por intermédio de suas três fases (Epifania, Percepção e Catarse), juntamente com seu final expositivo e poético, Flux narra todas as emoções e batalhas interiores que Commander Video travou: a inicial recusa e negação de seu estado e a batalha contra as memórias de sua infância, representada pelo primeiro chefe, em Epifania; a compreensão de sua essência e de suas realizações e a aquisição da confiança em seus instintos e sentidos em Percepção; e seu ultimo confronto contra seu destino, a mensagem final à moda Lost e seus últimos segundos súbitos e inspiradores em Catarse. A narrativa da série Bit. Trip é, sem sombra de dúvidas, completa, profunda, aleatória e absolutamente sem sentido. Para filósofos ensandecidos e usuários de LSD, Flux é um prato cheio e uma viagem sem fim.

No entanto, apesar da aparente complexidade, Flux é um jogo simples, feito para ser degustado ao poucos. Um jogador ávido para completá-lo não demorará mais do que duas horas para conseguir o feito, embora ele jamais consiga extrair tudo o que o jogo tem a oferecer nesse tempo. Flux, e essa é uma característica da franquia, é sobre High Scores e, refletindo a sua narrativa, sobre superação pessoal. Não existem rankings online porque esse não é o propósito do jogo, mas ele certamente fará o jogador voltar cada dia para apenas mais uma partida simplesmente por ser divertido, sem truques, e por proporcionar aquela gostosa sensação de que o jogador poderá – e irá – se sair melhor dessa vez.

Bit. Trip Flux é a conclusão mais apropriada que a série de ritmo/música da Gaijin Games poderia ter tido. Com seu visual retrô repleto de luzes e efeitos psicodélicos, músicas chiclete e uma jogabilidade simples e gratificante, o jogo só peca por sua minúscula longevidade. Para alguns manolos, Bit. Trip Flux representará mais do que o fim de uma franquia: ele será o clímax das sensações e emoções adquiridas através da bonita e memorável vida de Commander Video. Já outros enxergarão nas cenas de corte apenas um retângulo indeciso sobre se vai rebolar para o losango, para o alvo ou para o triângulo. E, cuidado, spoiler: ele decidirá rebolar para todo mundo.

Por Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo.

Publicado originalmente em 27 de Março de 2011.


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Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo


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