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God of War: Ghost of Sparta.

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Posted 03/28/2015 by in PS3

Rating

Nota:
 
 
 
 
 

2/ 5

Plataforma: ,
 
Título: God of War: Ghost of Sparta.
 
Publicador: Sony.
 
Desenvolvedor: Ready at Dawn Studios/ Studios Santa Mônica
 
Duração Média: 5 horas.
 
Lançamento: 02/11/2010.
 
Resumo:

Ghost of Sparta pode ter melhorado o combate de Chains of Olympus até certo ponto, mas por ser empurrado para baixo por uma história inútil pessimamente escrita, um level design limitado e batalhas sem graça contra os “grandes” chefes de fase, não consegue escapar da mesma mediocridade. Infelizmente, portanto, ainda não foi dessa vez que a franquia God of War conseguiu ser traduzida de forma eficiente para um portátil.

by Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo
Full Article

A primeira empreitada do estúdio Santa Mônica, em parceria com a Ready at Dawn, em traduzir o sucesso da franquia God of War para o universo portátil não foi muito bem sucedida. Chains of Olympus possui uma história que demora horas para se justificar, além de uma jogabilidade rasa, que reduz ainda mais a complexidade de mecânicas que nunca foram complicadas originalmente. Ghost of Sparta representa a segunda tentativa de levar a franquia ao PSP e, embora corrija alguns problemas do título anterior, comete novos erros que afetam a qualidade da experiência.

Em Ghost of Sparta, Kratos, após se tornar um deus, começa a ter misteriosas visões que o levam a viajar para a cidade de Atlântida, onde descobre o destino de sua família e decide embarcar em uma jornada para libertar seu irmão das garras do deus da Morte, Thanatos.

Apesar da premissa interessante, a história do jogo é porcamente desenvolvida. De início, a trama falha por ser consideravelmente objetiva quanto ao tema principal – a perda de um membro da família –, pois limita seu desenvolvimento à característica mais visível do protagonista: sua raiva. É certo que os demais jogos da franquia se prezavam por ir direto ao ponto no constante ao enredo, mas nesse caso, como todo o drama envolvendo a família de Kratos é novamente refletido em sua gritaria e em sua sanguinolência, essa objetividade apenas coloca em evidência um dos principais problemas da história de Ghost of Sparta: sua redundância. Uma vez que os conflitos do espartano no primeiro God of War eram exatamente os mesmos, a história do jogo falha por ser absolutamente igual a do primeiro título e por agir como se não fosse.

Em segundo lugar, os desenvolvedores também não se preocupam em tornar minimamente coerentes os poucos elementos que compõem o enredo. As motivações de diversos personagens, por exemplo, se modificam sem qualquer explicação plausível apenas para se adequar a ação: o irmão de Kratos, Deimos, sai de “Te odeio! Você não me protegeu! Vou te matar!” para “Raaawr! Somos irmãos de guerra!” após uma única batalha. A inconsistência de Atena é ainda pior, bastando observar sua insistência em criticar a jornada do espartano e seu diálogo final, em que ela argumenta a seu favor.

Outro problema grave é a qualidade desses diálogos, que se revelam igualmente óbvios e problemáticos: quando a mãe de Kratos exclama “Eu vou finalmente ter paz!”, a narradora conclui logo em seguida “E sua mãe finalmente conseguiu paz!”. As visões de Kratos no início sequer são explicadas (aparentemente, ser atormentado por visões é apenas o lance dele) e até mesmo se dar o trabalho de contextualizar a perda dos poderes do espartano – detalhe que os outros jogos se atentaram – Ghost of Sparta não se dá, apresentando o protagonista, logo após os eventos do primeiro God of War, desprovido de suas magias, energia e força, sem qualquer desculpa.

Não obstante, a missão de salvar seu irmão poderia levar o jogador a lugares interessantes, como Atlântida, Esparta e a terra da Morte governada por Thanatos. Porém, tais cenários são pouco explorados devido à linearidade extrema do level designChains of Olympus sofria um pouco desse mal, mas ainda continha o Templo de Hélio, um pequeno labirinto com diversos salões interconectados. Ghost of Sparta, por sua vez, é totalmente composto por corredores. Quando Kratos visita Esparta, o jogador observará diversos soldados fazendo reverência ao protagonista, pessoas andando pelas ruas e alguns mercados. Entretanto, com exceção de um bordel, ele se verá impedido de explorar a cidade, graças a uma movimentação absurdamente rígida que os desenvolvedores decidiram aplicar nessa sequência, que o obriga a seguir sempre em frente de forma lentíssima.

O campo em que o jogo tem seus méritos é o da ação, em que se verifica um grande aprimoramento em relação a seu predecessor, Chains of Olympus. Dessa vez, uma nova mecânica é apresentada: a habilidade de se colocar as Lâminas do Caos em chamas ao pressionar R, possibilitando causar dano a inimigos armadurados e atordoar outros com uma pequena explosão em área. Ela não é uma novidade enorme capaz de modificar muito a jogabilidade, mas se configura uma boa adição. Monstros novos também foram criados para acrescentar uma necessária diversidade à ação e uma criatura em especial, uma espécie de espectro feminino, impressiona por sua ferocidade, já que lança ataques tanto de pequeno quanto de longo alcance, além de um irritante agarrão de difícil bloqueio que deixa espaço para novos ataques inimigos – configurando-se uma força a se temer mesmo sem surgir em grande número. Os chefes, contudo, apresentam um design fraquíssimo quando comparados aos outros da franquia: Scylla é basicamente o Basilisco de Chains of Olympus com tentáculos saindo do corpo, e o embate final com Thanatos se mostra desprovido de qualquer criatividade: o jogador, quando se cansar de abusar do “quadrado, quadrado, triângulo” poderá apenas apertar um botão para fazer Deimos ajudar e atacar.

Ghost of Sparta pode ter melhorado o combate de Chains of Olympus até certo ponto, mas por ser empurrado para baixo por uma história inútil pessimamente escrita, um level design limitado e batalhas sem graça contra os “grandes” chefes de fase, não consegue escapar da mesma mediocridade. Infelizmente, portanto, ainda não foi dessa vez que a franquia God of War conseguiu ser traduzida de forma eficiente para um portátil.

por Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo.

Publicado originalmente em 26 de Setembro de 2014.


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Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo


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