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God of War III.

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Posted 05/09/2015 by in PS3

Rating

Nota:
 
 
 
 
 

3/ 5

Plataforma:
 
Título: God of War III.
 
Publicador: Sony.
 
Desenvolvedor: Santa Monica Studio.
 
Duração Média: 15 horas.
 
Lançamento: 16/03/2010
 
Resumo:

Com uma história completamente equivocada e mal trabalhada, mas contendo melhorias consideráveis na jogabilidade, God of War III certamente se configura um produto paradoxal. De um lado, a ação elaborada empolga com as animações brutais e com os gráficos de altíssima qualidade; já do outro a justificativa para tais batalhas soa porca e forçada, diminuindo o impacto. A franquia jamais precisou de uma história elaborada, mas aqui, por ser consideravelmente falha, atrapalha a experiência.

by Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo
Full Article

O enorme poder de processamento do Playstation 3 caiu como uma luva na franquia God of War. O escopo da aventura, que já era gigantesco, ficou ainda maior, conseguindo exibir cenários realmente impressionantes. No início de God of War III, por exemplo, o herói Kratos está enfrentando, mutilando e dilacerando seus inimigos nas costas de um titã que, por sua vez, está escalando o Monte Olimpo e lutando contra uma gigantesca criatura aquática controlada por Poseidon. Os pretensiosos movimentos de câmera, que a aproximam e a afastam do espartano constantemente, não se limitam a indicar que há ação também ocorrendo pela perspectiva dos titãs – pelo contrário, eles parecem sugerir que os desenvolvedores estão se regozijando por finalmente conseguir mostrar tais batalhas.

A premissa de God of War III é bastante objetiva: Kratos precisa escalar o Monte Olimpo e matar Zeus para concretizar sua vingança. Para conseguir derrotar o deus, o espartano necessita do poder das Chamas do Olimpo que estão guardadas convenientemente dentro da Caixa de Pandora. A jornada pela caixa, escondida no próprio Monte Olimpo, leva-o a buscar Pandora, uma chave com forma humana e consciência, e a enfrentar qualquer deus ou herói que ouse protegê-la.

Todavia, mesmo sendo contada por meio de uma estrutura bem simples – Kratos sobe a montanha, mata quem está no caminho, volta a subir a montanha – a história de God of War III consegue a proeza de ser mais confusa que o aceitável.

Essa confusão é causada por suas múltiplas inconsistências. É revelado, por exemplo, que alguns deuses, como Zeus e Atena, possuem espíritos que sobrevivem à morte de seu corpo: uma habilidade que os garante certa imortalidade. Atena, portanto, volta a manipular Kratos com seus próprios planos mesmo tendo perecido em God of War II. No entanto, outros deuses, como Poseidon e Ares, não conseguem tal feito e os desenvolvedores não oferecem qualquer explicação. Ou seja, ressuscitam um personagem importante, o posicionam como baluarte para as ações do protagonista e deixam por isso mesmo, sem nunca justificar o ato. As motivações de vários personagens também não fazem qualquer sentido, transformando-se e mudando sem razão ou aviso prévio – Zeus é o mais bipolar dos deuses, chegando até a estimular o espartano a abrir a Caixa de Pandora no clímax.

Aliás, é justamente o tom que a história assume nesses instantes finais que se configura como o ponto mais problemático de God of War III. Kratos é um herói que destrói os corpos de seus inimigos após arrancar suas tripas com as próprias mãos. Em seu percurso até o topo do Monte Olimpo, ele deixa uma trilha sanguinolenta de vítimas atrás de si, condena todas as almas a vagarem sem descanso pela eternidade em Hades, inunda cidades inteiras e ainda libera uma peste mortal na população. O espartano é um personagem extremamente violento – vale notar que, se antes essa violência era pautada pela tragédia, agora é apenas pela loucura – que não hesita brutalizar inocentes para alcançar seu objetivo. Portanto, quando Pandora discursa de forma piegas sobre “o poder da esperança que reside em nossos corações” o jogador só consegue ficar atônito com a súbita mudança de tom na narrativa.

É inegável, entretanto, que God of War III sofreu diversas mudanças benéficas no constante a sua jogabilidade. Uma barra de itens foi adicionada, permitindo mais opções de abordagem nos combates – o arco, por exemplo, pode queimar inimigos à distância e a cabeça que Kratos, com as próprias mãos, arranca de certo oponente paralisa e cega grande quantidade de inimigos pequenos. Quanto às armas secundárias, se antes cada uma só modificava os combos básicos do espartano, dessa vez o estúdio Santa Mônica atrelou magias específicas a elas. Dessa forma, cada equipamento novo é completamente distinto do anterior em sua jogabilidade, garantindo um bom frescor às batalhas, visto que elas estimulam usos específicos de cada arma: os Cestus de Nemeia quebram escudos e causam grande dano em área com sua magia e as Garras de Hades são mais ágeis e liberam diversas almas de criaturas em seus inimigos, permitindo atordoá-los por mais tempo. Além disso, agora também é permitido trocar de equipamento no meio da ação com o aperto de um botão, o que torna o sistema de combate mais dinâmico e, finalmente, mais complexo.

O foco de God Of War III, consequentemente, modifica-se. Se o título anterior proporcionava uma excelente aventura, este existe exclusivamente pela ação. Em outras palavras, os divertidos enigmas arquitetônicos dão lugar a sequências de batalha mais espetaculares. Em um momento, Kratos estará em cima de um gigantesco cubo pendurado sobre um abismo e o jogador terá que não somente derrotar várias hordas de inimigos como também impedir minotauros de destruir as correntes que seguram a estrutura. Em outro, o espartano se verá dentro de um cubo parecido, que rotaciona seu eixo a cada vitória do jogador, obrigando-o a prender-se em harpias para escapar de espinhos.

Mas, embora o jogo contenha um grande arsenal de confrontos interessantes e criativos, são os chefes que realmente sugam todo o potencial do processador do Playstation 3.A primeira importante batalha, sendo fiel à forma, abre o jogo: enquanto Kratos está agarrado nas costas do titã Gaia, Poseidon, o deus dos mares, transforma-se em uma imensa criatura aquática, com gigantescas garras de caranguejo e tentáculos que terminam em ferozes e deformadas cabeças equinas. O espartano luta de cabeça para baixo, adequando-se aos movimentos do titã; é lançado contra as montanhas, levando a breves sequências de plataforma; e se joga contra o inimigo, quebrando as mandíbulas dos cavalos, tudo sob a firme direção de quick time events (agora mais polidos – os botões aparecem nos cantos da tela correspondentes a sua posição no controle) que possuem o mais claro intuito de tornar a ação épica.

É essa visão, de refestelar-se na violência, que permeia as batalhas, causando um efeito excelente por reforçar a brutalidade. Ao vencer Poseidon, por exemplo, o espartano encurrala o deus em uma montanha e o típico quick time event de finalização é iniciado de forma inspirada: a visão do jogador fica em primeira pessoa, pela perspectiva do senhor dos mares, levando-o a assistir em primeira mão a cada golpe que Kratos lança na cabeça do deus – o que alcança seu ápice no momento em que o espartano fura os olhos dele com os dedos e a visão do jogador fica completamente obscurecida.

O espetáculo é enorme nessas batalhas. O confronto com Hades, por exemplo, faz toda a arena ser cortada por dezenas de correntes, enquanto o deus ataca com suas compridas correntes de energia roxa que tentam sugar a alma do protagonista. E a batalha contra Cronos é ainda mais impressionante por reforçar a cada golpe do titã, – que tenta esmagá-lo com seu dedo –, a insignificância do espartano.

Os gráficos, para fazer jus à ação, são espetaculares, finalmente permitindo que os desenvolvedores coloquem em prática ações que eram apenas sugeridas: se antes, no primeiro God of War, Kratos cortava a barriga de um ciclope e isso era mostrado por uma linha vermelha, dessa vez a carne da criatura é aberta e seus intestinos caem no chão. Já a trilha sonora continua a emular o tom épico do jogo por intermédio do uso de um coral agressivo e de tambores, embora o verdadeiro destaque seja o tema de Pandora – que costuma tocar em Hades – que é ao mesmo tempo doce e triste, como se anunciasse uma tragédia iminente.

Com uma história completamente equivocada e mal trabalhada, mas contendo melhorias consideráveis na jogabilidade, God of War III certamente se configura um produto paradoxal. De um lado, a ação elaborada empolga com as animações brutais e com os gráficos de altíssima qualidade; já do outro a justificativa para tais batalhas soa porca e forçada, diminuindo o impacto. A franquia jamais precisou de uma história elaborada – apenas uma premissa interessante como a de God of War II basta para entreter em vários jogos de ação – mas aqui, por ser consideravelmente falha, atrapalha a experiência.  Além disso, ao colocar muito foco na ação, em detrimento da aventura, a equipe do estúdio Santa Mônica também demonstrou que dedicou sua atenção primordialmente ao sistema de combate e à qualidade gráfica, acreditando que tais elementos são a essência de God of War. O resultado final, portanto, apesar de problemático, de fato impressiona, mas somente isso.

por Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo.

Publicado originalmente em 07 de Novembro de 2014.


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Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo


One Comment


  1.  

    Eu mato essa ideia Kratos e toda essa mitologia j deram o que tihnam dar se querem continuar com a formula tudo bem, mas podiam mudar pelo menos a “capa” do jogo porque n o um God of War vers o Asgard tem muita mitologia que se poderia usar pra ter novos jogos, ao inv s de ficarem revirando maneiras de continuar utilizando a mesma coisa over and over again





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