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Ori and the Blind Forest.

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Posted 07/27/2016 by in PC

Rating

Nota:
 
 
 
 
 

4/ 5

Plataforma: ,
 
Título: Ori and the Blind Forest.
 
Publicador: Microsoft Studios.
 
Desenvolvedor: Moon Studios.
 
Duração Média: 8 horas.
 
Lançamento: 11/03/2015.
 
Diretor: Thomas Mahler.
 
Compositor: Gareth Coker.
 
Roteirista: Thomas Mahler.
 
Resumo:

Contendo uma introdução excelente, mas se esquecendo dela até o clímax, Ori and the Blind Forest é um jogo que compensa seus problemas narrativos ao trazer e explorar mecânicas novas e interessantes em sua jogabilidade.

by Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo
Full Article

Desenvolvido pela Moon Studios, Ori and the Blind Forest é um competente jogo de exploração estilo “Metroidvania” que traz uma bela fábula sobre a importância da compaixão. Trata-se de um título formidável, mas que se beneficiaria de uma conexão maior entre história e jogabilidade.

A comovente introdução de Ori and the Blind Forest acompanha Ori, um espírito da floresta, enquanto ele se perde da Árvore dos Espíritos durante uma tempestade e é acolhido por uma criatura chamada Naru.

A equipe da Moon Studios estabelece rapidamente a amizade entre as duas criaturas com um recurso interessante: elas surgem trabalhando e se divertindo juntas em pontos cada vez mais a direita do mesmo cenário, o que sugere a formação de uma relação com a passagem do tempo. É um recurso econômico que funciona principalmente pelo design adorável dos personagens: Ori lembra uma raposa bebê e Naru um urso com feições serenas e simpáticas. O jogador é levado a empatizar com eles, basicamente, por serem fofos e se amarem.

Assim, o grande mérito da introdução do jogo é a quebra de expectativas que se segue. A Árvore dos Espíritos, desesperada à procura de Ori, causa um cataclismo, fazendo a floresta se deteriorar. O jogador, então, é surpreendido com uma subversão da técnica apresentada antes. Novamente, os personagens surgem em vários pontos do cenário trabalhando, mas em sentido contrário, para a esquerda, com uma aura fantasmagórica. Se aquelas imagens previamente simbolizavam o nascimento de uma amizade, agora são lembranças e indicam tragédia. A trilha sonora, que antes seguia em um crescendo, acompanha a mesma lógica e vai morrendo aos poucos, perdendo instrumentos e formando uma cena memorável.

Quando ela finalmente termina, Ori and the Blind Forest revela-se um Metroidvania clássico. O objetivo de Ori é recuperar a floresta de Nibel e, para isso, terá que explorar um imenso mapa em busca de artefatos mágicos. Adquirindo novos poderes e modificando partes do mundo, áreas antes bloqueadas tornam-se acessíveis.

No início, o jogo limita-se a seguir corretamente a cartilha do gênero, com enigmas envolvendo acionar alavancas e empurrar blocos, enquanto as novas habilidades resumem-se a pulo duplo e golpe carregado. Ori ataca com raios teleguiados, o que envolve praticamente nenhuma estratégia por parte do jogador, que deve se preocupar apenas em desviar dos projéteis inimigos. A novidade reside no sistema de “checkpoints”, que aqui são criados pelo próprio jogador ao usar certa quantia de energia – isso entrega mais liberdade ao jogador ao mesmo tempo em que representa um uso estratégico inusitado: quanto mais ele salvar, menos poderá realizar a mesma ação no futuro até recuperar a energia necessária.

Até esse ponto, o que impressiona é a qualidade da apresentação: a arte utilizada simula desenho à mão e evoca as obras de Hayao Miyazaki (Ori, por exemplo, tem a mesma aura branca dos espíritos da floresta de A Princesa Mononoke), enquanto a trilha sonora orquestrada abusa de flautas e piano para estabelecer uma atmosfera melancólica.

No entanto, quando a habilidade “Bash” é adquirida, os desenvolvedores da Moon Studios finalmente demonstram ambição no campo da jogabilidade. O Bash muda a forma com que os inimigos do jogo são tratados, por transformá-los, juntamente com seus projéteis, em impulso para Ori alcançar plataformas mais altas. Com isso, a dinâmica mantida com os inimigos torna-se mais complexa: em vez de simplesmente matar todos os monstros que encontrar, o jogador é estimulado a observar o posicionamento deles no cenário para descobrir se não é preferível usá-los como “trampolim”.

Não somente isso, como o Bash também propele o inimigo/projétil em questão para o lado oposto de Ori, possibilitando que essa habilidade seja utilizada como ataque (jogar um projétil na própria criatura que o lançou) ou para solucionar puzzles. Um, em específico, envolve a contínua mudança de direção de um único projétil que caminha por diversos portais até finalmente atingir e destruir uma barreira.

São esses enigmas inteligentes que proporcionam os melhores momentos do jogo, ao contrário das intensas “sequências de fuga”, em que Ori deve escapar de alguma estrutura enquanto a mesma desaba sobre ele. São sequências que prezam pelo espetáculo e que, por exigirem reflexos muito rápidos, acabam caindo em um esquema de tentativa e erro, com Ori, por exemplo, sendo esmagado por pedras que não estavam suficientemente sinalizadas como perigosas.

A equipe da Moon Studios também peca um pouco no desenvolvimento da narrativa após a excelente introdução. Há, por exemplo, uma evidente desconexão entre a tragédia do início e basicamente tudo que Ori faz em sua aventura para salvar a floresta. A ação parece ocorrer em um contexto diferente, como se Naru nunca tivesse existido. Se a introdução fosse removida, nada mudaria no jogo, salvo o final, quando a relação entre a personagem e o protagonista é retomada. O foco da narrativa passa a ser, na verdade, a antagonista Kuro, uma enorme coruja que quer destruir a Árvore dos Espíritos, enquanto Naru não é sequer mais mencionada até o clímax. Na Definite Edition uma área exclusiva mostra o passado dela e de sua raça, mas pouco adiciona à sua relação com Ori.

O que é uma pena, visto que o diretor e roteirista Thomas Maller mostra-se competente na condução do tema de sua história, constantemente estabelecendo relações de carinho e mostrando os frutos positivos resultantes da compaixão e da gentileza. Se ele tivesse conseguido amarrar mais os eventos da introdução na motivação do protagonista, sua história teria ficado mais bem estruturada e, com isso, impactante.

Aliás, o roteirista também desliza na tentativa de humanizar a coruja Karu. Ao ancorar sua motivação em uma tragédia, Maller transfere a culpa dos acontecimentos para outro personagem – e, aparentemente sem perceber, visto que não desenvolve a situação. No fim, o jogador fica se questionando se não seria melhor para todo mundo envolvido simplesmente esquecer a floresta de Nibel e partir de mãos dadas para um lugar que não seja governado por um ser egoísta e profundamente inconsequente.

Contendo uma introdução excelente, mas se esquecendo dela até o clímax, Ori and the Blind Forest é um jogo que compensa seus problemas narrativos ao trazer e explorar mecânicas novas e  interessantes em sua jogabilidade.

por Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo.

27 de julho de 2016.

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Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo


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