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Enslaved: Odyssey to the West.

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Posted 01/06/2017 by in PC

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Nota:
 
 
 
 
 

2/ 5

Plataforma: , ,
 
Título: Enslaved: Odyssey to the West.
 
Desenvolvedor: Ninja Theory.
 
Duração Média: 9 horas.
 
Lançamento: 05/10/2010.
 
Diretor: Mark Davies / Tameen Antionades.
 
Compositor: Nitin Sawhney,
 
Roteirista: Alex Garland.
 
Resumo:

Enslaved: Odyssey to the West é um jogo que, embora simples, mostra-se incapaz de desenvolver seus elementos, proporcionando uma aventura pouco memorável.

by Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo
Full Article

Desenvolvido pela Ninja Theory, Enslaved: Odyssey to the West é um jogo de aventura que trilha caminho conhecido: o arco narrativo dos personagens principais não foge do clichê, as sequências de plataforma são claramente baseadas em outros jogos e o sistema de combate é simples e pouco inspirado. O jogo, porém, ainda falha em desenvolver e relacionar esses elementos, sofrendo com problemas de coesão e coerência.

O universo apresentado em Odyssey to the West é pós-apocalíptico: a humanidade foi dizimada pelas próprias máquinas que criou e os poucos sobreviventes lutam para não ser escravizados por elas. O jogador começa a controlar um homem chamado Monkey assim que ele acorda preso em uma cela de contenção. Sua fuga, entretanto, faz o avião que o transporta cair. Ao acordar, Monkey percebe que uma jovem mulher chamada Trip também sobreviveu ao acidente e que, enquanto estava desacordado, ela aproveitou para instalar uma bandana especial em sua cabeça, obrigando-o a seguir suas ordens e, assim, levá-la até sua vila de origem.

A relação entre Monkey e Trip cai no clichê do “casal que briga, mas no fundo se ama”. No início da história, o protagonista obedece aos comandos de Trip a contragosto, sob a promessa de ser solto assim que completar sua missão, enquanto ela não vê outra opção que não escravizá-lo. Trip sabe que não sobreviverá sem a ajuda de Monkey, mas teme que ele possa se virar contra ela caso o solte. Já no fim, eles são melhores amigos e a preocupação que sentem um pelo outro é genuína, não mais derivando de uma imposição.

Os diálogos escritos por Alex Garland (do filme Ex Machina) prezam pela economia. A relação entre o casal, por exemplo, é estabelecida em uma única ameaça de Trip (“If I die, you die”), enquanto a história do passado de Monkey segue o mesmo princípio (“My family was killed by Mechs”).

No entanto, tal estratégia, por não ser apoiada por outras, acaba levando a uma carência de desenvolvimento de personagem, com Monkey e Trip enquadrando-se em arquétipos problemáticos: Trip é o cérebro da dupla e, sendo mulher, constantemente precisa ser resgatada por Monkey, o brutamontes que faz o trabalho pesado. O casal, entretanto, consegue ser salvo pela ótima dublagem de Andy Serkis (King Kong) e Lindsey Shaw (Pretty Little Liars). Serkis chega a conferir alguma profundidade a Monkey por fugir da composição habitual desse tipo de personagem: o guerreiro raramente levanta a voz, falando em uma rouquidão pausada, como se estivesse refletindo sobre suas respostas. Ou seja, Monkey pode usar poucas palavras, não saber computação e ainda chutar uma máquina na tentativa de consertá-la, mas Serkis não o compõe como um indivíduo burro. Já Shaw, preocupa-se em espelhar o arco narrativo da personagem em seu trabalho vocal: Trip sente culpa pela situação em que pôs Monkey, mas também teme por sua vida. Assim, sua voz transita entre um tom autoritário – para afirmar-se perante o companheiro – e um receoso. Já perto do fim, quando sua relação com o colega progride, sua voz torna-se mais suave, transmitindo carinho e preocupação.

A história de Odyssey to the West, entretanto, sofre com graves problemas de estrutura. São estabelecidos diversos mistérios ao longo da narrativa (qual o destino das pessoas escravizadas? Por que Monkey começa a ter flashes de um passado distante?), mas todos eles são solucionados de uma vez só apenas depois do clímax, em uma longa e cansativa cena repleta de exposição. Além disso, as respostas surgem tematicamente deslocadas (consequência inevitável de não serem espaçadas na narrativa), parecendo pertencer a um jogo diferente. É curioso, aliás, notar que Odyssey to the West surge mais como uma adaptação de Matrix do que da história japonesa em que teoricamente é baseada, Uma jornada para o oeste.

Garland até tenta construir algumas metáforas na narrativa, como o trágico fim de um inusitado aquário que simboliza a perseverança da vida, mas se esquece de criar uma rede consistente de temas para definir sua história. Qual é a ligação entre o arco narrativo de Monkey e a decisão que é obrigado a fazer no final, por exemplo? Embora as últimas revelações até proponham questões morais complexas, elas acabam desprovidas de qualquer força dramática devida à falta de coesão, tornando o clímax do jogo emocionalmente vazio.

Além disso, a narrativa é formada pela repetição de ideias: o primeiro flash que Monkey tem do passado é curioso e instiga o jogador. O décimo quinto, contudo, já causa o efeito oposto.

No constante a jogabilidade, Odyssey to the West segue a escola de Uncharted nas sequências de plataforma, com o personagem movendo-se por estruturas suspensas com o analógico e escalando montanhas com o aperto de um botão, com direito a pedras e apoios despencando volta e meia para gerar picos de tensão. Os elementos do cenário que podem ser usados pelo protagonista brilham para se destacar dos demais, chamando a atenção do jogador.

Todavia, a equipe da Ninja Theory comete alguns deslizes básicos no desenho das fases, inserindo objetos que poderiam ser utilizados pelo protagonista no ambiente, mas não oferecendo essa opção. Em certo momento, por exemplo, Monkey tem que se separar momentaneamente de Trip e procurar um caminho alternativo, quando poderia muito bem subir em um latão de lixo que está na sua frente e alcançar a plataforma em que a garota se encontra.

Os desenvolvedores também demonstram falta de cuidado na condução de alguns enigmas do jogo. A entrada da vila de Trip, por exemplo, é guardada por um esquema elaborado de pontes que precisam ser movimentadas. Apesar de ser ela o cérebro do grupo, é Monkey quem tem que guiá-la por comandos. O ideal seria que ambos trabalhassem em conjunto, mas como o jogador controla Monkey e não Trip, a tarefa cabe apenas ao protagonista, sacrificando a coerência da narrativa. Chega a ser irônico o diálogo em que Trip revela o motivo da existência daquelas pontes – impedir o avanço dos robôs, pois eles não estão programados para resolver enigmas –, uma vez que a própria personagem também não está.

Já o sistema de combate preza pela simplicidade, não oferecendo uma vasta gama de combos ao jogador, limitando-se a golpes fortes e fracos que não se interligam de formas inesperadas, criativas ou visualmente diferentes.

Por fim, a versão de PS3 ainda traz sua parcela de problemas técnicos, com direito a glitches no som, quedas de framerate, screen tearing e bugs que dificultam o progresso no jogo, como o que bloqueia os comandos do jogador no enigma sobre a movimentação de um moinho de vento.

Enslaved: Odyssey to the West é um jogo que, embora simples, mostra-se incapaz de desenvolver seus elementos,  proporcionando uma aventura pouco memorável.

por Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo.

06 de janeiro de 2017.

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Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo


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