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21.12.

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Posted 09/15/2016 by in Suspense

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Nota:
 
 
 
 
 

2/ 5

Sumário

Genero:
 
Autor:
 
Editora: ,
 
Idioma Original:
 
Título Original: 12.21.
 
Tradução: Marcelo Barbão.
 
Edição: 2012.
 
Páginas: 280.
 
Capa: Will Staehle.
 
Resumo:

Escrito por Dustin Thomason (coautor de O Enigma do Quatro), 21.12 é um thriller de catástrofe demasiadamente medíocre: o autor parece satisfeito em expor sua pesquisa em uma narrativa simples, esquecendo-se de fazer o leitor se importar com qualquer coisa que acontece nela.

by Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo
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Escrito por Dustin Thomason (coautor de O Enigma do Quatro), 21.12 é um thriller de catástrofe demasiadamente medíocre: o autor parece satisfeito em expor sua pesquisa em uma narrativa simples, esquecendo-se de fazer o leitor se importar com qualquer coisa que acontece nela.

O enredo de 21.12 envolve a disseminação pelos Estados Unidos de uma doença priônica aparentemente incurável. De um lado, encontra-se o dr. Gabriel Stanton, uma autoridade no tratamento de doenças baseadas na proteína do príon, tentando conter o processo de contaminação. Do outro, está uma linguística especializada na epigrafia Maia, Chel Manu, que recebe inesperadamente um códex Maia nunca antes estudado e percebe que pode haver uma conexão entre o livro e a origem da doença.  

21.12, narrado em terceira pessoa, é estruturado de forma básica, alternando entre o ponto de vista de dois personagens. Os capítulos de Stanton são focados no problema da doença, nas suas explicações e nas complicações resultantes, sendo responsáveis pela tensão e urgência da narrativa. Enquanto isso, os capítulos de Chel apresentam as informações acerca da cultura Maia – a própria é descendente deles – e, por intermédio das traduções que realiza em cima do códex, proporciona breves flashbacks para a história de um escriba Maia vivendo em uma civilização passando por um longo período de decadência.

O principal mérito do livro é justamente seu Calcanhar de Aquiles. Sua narrativa é extremamente ágil, avançando pelos acontecimentos ininterruptamente, sem deixar muito espaço para o leitor respirar. A montagem paralela é fundamental para essa construção, permitindo que o autor alterne entre os dois pontos de vista, e, assim, sempre introduza alguma informação nova. O ritmo acelerado movimenta constantemente a história ao mesmo tempo em que transmite uma forte sensação de empolgação, quase ao ponto de anestesiar o leitor.

No entanto, essa velocidade também impede que o autor desenvolva qualquer personagem ou construa alguma passagem reflexiva. Os dois personagens principais, por exemplo, são definidos por suas profissões. Stanton é um médico e sua única função narrativa é descobrir uma cura, enquanto Chel, como pesquisadora Maia, serve apenas para traduzir o códex e possibilitar os flashbacks resultantes. Se Chel ainda tem uma ligação maior com os eventos em questão, permitindo que ela apresente alguma espécie de conflito interno quanto às descobertas sobre o códex – ela teme que ele reforce o preconceito contra os Maias em pleno 2012 –, Stanton resume-se a uma mera ferramenta narrativa, não possuindo qualquer traço de personalidade sem ser curtir seu trabalho.

Com isso, o leitor se distancia da história, visto que não lhe é dado motivos para se importar com os personagens principais. A única figura minimamente complexa é a mãe de Chel, que ganha centelhas de personalidade graças a uma revelação no final. Porém, ela em nada interfere nos eventos da trama principal, mostrando-se, infelizmente, pouco relevante.

Aliás, a maior parte dos personagens secundários é absolutamente inútil, com dois deles merecendo alguns comentários adicionais. A primeira é a doutora Thane, a médica que alerta Stanton do primeiro caso da doença priônica. Sua importância vai gradativamente aumentando somente para ela ser subitamente descartada na metade, sem justificar sua presença. Sua última cena é, de fato, impactante, mas a função dela se resume a apenas isso: chocar o leitor naquele instante – o evento nunca chega a movimentar efetivamente a história, apenas cria um obstáculo que é rapidamente contornado pelos personagens principais.

O segundo personagem é o mentor de Chel, Victor Granning, que, como Thane, gera um conflito pontual que nunca chega a influenciar de fato a conclusão da história. As cenas mais importantes dos dois até geram uma carga de tensão, o problema é ela não ser duradoura – fazendo parte de uma cadeia de eventos – mas constituir-se um acontecimento isolado que, em sua brevidade, dirime a relevância dos personagens e de suas ações.

Outro problema do livro é a fragilidade temática da história. O autor parece tão fascinado por sua pesquisa pela cultura Maia que faz questão de incluir flashbacks narrando os hábitos e conflitos dos habitantes de uma cidade antiga da civilização. Além disso, coloca a protagonista como descendente dos Maias, permitindo que a situação deles nos dias de hoje seja exposta – como as guerras civis e a imigração para os Estados Unidos –, mas não faz nada com esses elementos: não critica, não problematiza, não reflete sobre eles. Novamente, esse problema é resultante ao ritmo acelerado do livro, que não deixa espaço para que qualquer coisa seja desenvolvida apropriadamente. Com isso, Thomason faz 21.12 refletir seus personagens secundários, mostrando-se bem irrelevante.

O que é uma pena, visto que o autor mostra potencial, acertando em plantar algumas pistas e recompensas pela narrativa – normalmente escondidas nos flashbacks – que assumem alguma função quando Chel tenta descobrir a localização de uma cidade perdida dos Maias. Além disso, Thomason também consegue criar uma ou outra imagem interessante ao longo do livro – embora essa preocupação do autor seja bem rara –, como a presente no início do capítulo em que Stanton recebe a notícia mais terrível que poderia naquele momento: “Havia cinzas caindo sobre Stanton quando ele desceu do carro no cento de comando do CDC. O fogo tinha tomado conta das colinas acima da célebre placa de HOLLYWOOD e consumido cem acres, cobrindo do centro até o oceano com nuvens de fumaça” – as cinzas claramente marcando o fim forçado e repentino de uma etapa da vida de Stanton.

Uma notícia terrível para o médico que não gera muitas consequências fora do capítulo em questão. Mais uma vez, como o autor parece estar mais preocupado em avançar com a história do que em amarrar os eventos mais importantes em uma teia narrativa.

É por isso que 21.12 falha: o livro é incapaz de despertar qualquer sensação no leitor além de uma empolgação momentânea. A pesquisa sobre os Maias pode até ser interessante e o ritmo da história é certamente eficaz, mas, no fim, o leitor dificilmente dará importância ao que leu.

por Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo.

15 de setembro de 2016.


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Rodrigo Lopes C. O. de Azevedo


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